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Criação,
Satanificação
Regeneração, Deificação
Parte
3: Regeneração para Deificação, Regeneração como Deificação
Por
Ron Kangas
Tradução não oficial e não revisada pelo
autor do artigo “Creation, Satanification, Regeneration, Deification –
Part 1: Creation for Regeneration” publicada em Affirmation & Critique em outubro de 2002, Living
Stream Ministry - Anaheim – Ca
– EUA, por João Lídio de Carvalho Neto para a Igreja do Senhor Jesus Cristo,
sem fim comercial.
omo um livro que diz respeito a
Cristo como o centro da administração
conforme Sua economia (Apocalipse 1:1; 5:6), o Apocalipse de João se
refere freqüentemente ao trono de Deus e a Deus como Aquele que Se senta no
trono. “Imediatamente, eu me achei em espírito, e
eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado; e esse que se acha
assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio” (Apocalipse
4:2,3). Aqui, vemos o trono da
autoridade divina, o trono sobre o qual o Deus redentor está sentado
(Apocalipse 22:1) a fim de levar a cabo Sua administração exercendo Sua
soberania sobre tudo e todos. O trono
de Deus não é apenas para Deus reinar, mas também para Deus realizar Seu
propósito eterno (Efésios 1:9,11; 3:11; Romanos 8:28), que está intrinsecamente
relacionado à Sua vontade. Falando da
vontade Deus e unindo-se à vontade de Deus para a criação de Deus, Apocalipse
4:11 diz: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a
honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua
vontade vieram a existir e foram criadas”.
Como um Deus de propósito com uma vontade conforme o Seu bom prazer
(Efésios 1:5,9,11), Deus criou todas as coisas para a Sua vontade a fim de que
Ele pudesse realizar e cumprir Seu propósito.
O universo, com todas as coisas que nele existem, foi criado porque Deus
tem uma vontade. A vontade de Deus, conforme desvelada em
Efésios e Romanos, é ter uma expressão corporativa de Si mesmo em Cristo como o
primogênito Filho de Deus com os crentes como os muitos filhos de Deus. Enquanto que todos somos criaturas de Deus
por criação, os crentes em Cristo, povo redimido e escolhido de Deus,
tornamo-nos filhos de Deus através da regeneração. Se o propósito de Deus é para ser levado a cabo, a criação deve
ser seguida da regeneração, por meio da qual as criaturas de Deus tornam-se
filhos de Deus. Conforme tentaremos
mostrar neste artigo, regeneração é para deificação – o processo pelo qual os
crentes em Cristo tornam-se Deus em vida e em natureza exceto em Deidade e não
como objetos de adoração. Não somente é
a regeneração para deificação – regeneração é deificação, pelo menos
como o primeiro passo na salvação orgânica de Deus (seguida pela santificação,
renovação, transformação, conformação e glorificação). Portanto, nós temos três termos de
significado crucial – criação, regeneração e deificação. Lamentavelmente, Deus tem um
inimigo, Satanás, o diabo, que O desafia, se opõe a Seu propósito, e contradiz
Sua vontade (Isaías 14:12-14). A
vontade satânica é posta contra a vontade divina, e o complô satânico é posto
contra o plano e o propósito eternos de Deus.
Como resultado, existe, no universo, um conflito de vontades, o conflito
entre a vontade de Deus e a vontade de Satanás. A guerra espiritual tem sua fonte neste conflito entre a vontade
divina e a vontade satânica. Nesta
tentativa perversa de opor-se à vontade de Deus e de contrariar o propósito de
Deus na criação da espécie humana, Satanás, no momento da queda da humanidade,
injetou-se, como pecado, para dentro do ser do homem tripartido, corrompendo o
corpo, transmutando a alma, e amortecendo o espírito. Desta maneira, o demônio, um pai maligno (João 8:44), gerou uma
raça de seus próprios filhos, serpentes geradas pela antiga serpente e o mesmo
que o seu pai demoníaco em vida e em natureza.
O processo pelo qual as criaturas de Deus tornaram-se filhos do demônio
é denotado pela expressão satanificação. Agora, há quatro assuntos que requerem nossa atenção – criação,
satanificação, regeneração e deificação – assuntos que começamos a considerar
nos dois primeiros artigos nesta série composta de três partes – “Criação para
Regeneração” e “Satanificação e Sua Nulificação”.
o primeiro artigo, nós mostramos
que o Deus Triúno criou a espécie humana à Sua imagem conforme a Sua semelhança
para Sua expressão corporativa. Em
Gênesis 1 há o potencial para a expressão corporativa de Deus, e em Apocalipse
21 e 22 há a realidade desta expressão.
A única maneira de um ser humano criado por Deus poder expressar Deus é
receber a vida de Deus através da regeneração por Deus e então continuar a
tornar-se Deus por meio da deificação.
Este grande empreendimento divino é objetado e atacado pelo inimigo de
Deus, cujo objetivo mal é fazer os seres humanos o mesmo que ele é em sua vida
e natureza pecaminosas. A satanificação
especifica o processo de Satanás fazer o homem criado por Deus para Sua
expressão divina uma constituição de Satanás para sua expressão diabólica. Antes do propósito de Deus na criação poder
ser realizado através da regeneração e deificação, deve haver a nulificação da
satanificação. Isto teve lugar por meio
da morte de Cristo na cruz como Aquele que, cumprindo o tipo da serpente de
bronze (João 3:14), veio na semelhança de carne de pecado e foi feito pecado em
nosso lugar (Romanos 8:3; 2Coríntios 5:21) de maneira que o pecado pudesse ser
condenado e o diabo pudesse ser destruído (Hebreus 2:14). O Filho de Deus Se manifestou para destruir
as obras do diabo (1João 3:8). Agora,
com Sua obra consumada, a redenção judicial com a base justa, Deus pode
dispensar-Se para dentro do Seu povo escolhido e redimido como sua vida para
sua regeneração e deificação levando a uma consumação gloriosa – a Nova
Jerusalém, o cumprimento da vontade de Deus, como Sua habitação eterna para Sua
satisfação e expressão. Como um
testemunho da vitória de Deus e da derrota de Seu inimigo, no fim de
Apocalipse, o diabo é lançado para dentro do lago de fogo, e a Nova Jerusalém
desce “do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus” (Apocalipse
21:10,11). Desta maneira, a conspiração
de Satanás é destruída, e o propósito de Deus é cumprido. Tomado como uma unidade, este parágrafo
resume as teses desta série tripla de artigos.
ada parte tem sua própria subtese,
seu pensamento básico e controlador. A
tese da parte 1 é que a criação da humanidade à imagem de Deus foi para
regeneração pela vida de Deus para a expressão corporativa de Deus. A tese da parte 2 é que Satanás, em sua
astúcia, tramou uma estratégia para
arruinar a espécie humana injetando sua vida e natureza más para dentro da
humanidade, portanto satanificando toda a raça. Contudo, através da encarnação e da morte redentora de Cristo,
Deus em Cristo derrotou Satanás e anulou sua agenda de satanificação. A tese da parte 3 é que, com a redenção como
o fundamento sólido, inabalável, Deus agora está livre, conforme a Sua justiça,
para regenerar e por meio disso começar a deificar Seus eleitos redimidos,
justificados, reconciliados. Esta
regeneração para deificação e regeneração como deificação cumprirá o propósito
de Deus na criação. Equívocos concernentes à Regeneração A fim de entender que a regeneração é para deificação e que a
regeneração é, verdadeiramente, o início da deificação, devemos ter um
entendimento preciso da regeneração.
Tristemente, até tragicamente, há um equívoco muito difundido com
respeito ao significado e importância da regeneração. Alguns exemplos de ensinamentos errôneos ou imprecisos acerca da
regeneração requerem atenção. Uma Re-criação Interior da
Natureza Humana Caída Regeneração
ou, novo nascimento, é uma re-criação
da natureza humana caída pela ação graciosamente soberana do Espírito Santo
(João 3:5-8). A regeneração em Cristo
muda a disposição da iniqüidade, do ateísmo,
da busca de si (Romanos 3:9-18) que domina o homem em Adão, em uma
disposição de confiança e amor, de arrependimento pelo passado rebelde e
incrédulo, de submissão amorosa à lei de Deus, daí em diante. (Modern Reformation 28)
sta definição de regeneração é um
conceito humano-natural, um conceito contrário à revelação divina. Este pensamento errôneo toma a natureza
humana caída, não o propósito eterno de Deus, como o ponto de partida, e então
define regeneração como uma mera re-criação de nossa natureza caída. Nesta visão, regeneração é nada mais que uma
restauração da natureza humana à sua condição original-criada; nada é dito a
respeito do recebimento da vida divina, o elemento mais crucial no novo
nascimento. Um outro equívoco está
ligando regeneração à submissão à lei de Deus, portanto fazendo a lei de Deus,
em vez da vida de Deus, o critério principal.
Concordemente, regeneração é definida como uma reforma e não como um
novo nascimento no qual alguém se torna uma nova espécie, um filho de
Deus. Esta espécie de entendimento
distrai os crentes da economia de Deus para o auto-aperfeiçoamento ou
desenvolvimento moral, frustrando assim o crescimento de Deus dentro dos
membros do Corpo de Cristo. Mera Analogia “O nascimento espiritual não pode
ser estritamente e literalmente o mesmo em natureza e modo que o nascimento
natural. Deve ser uma mera analogia”
(Webb 184-185). “Mera analogia,” não
uma realidade divina: que afastamento doloroso da Palavra de Deus! Ao reivindicar que o nascimento espiritual,
a regeneração, não envolve um nascimento real por meio do qual a vida e a
natureza de Deus são impartidas para aqueles que crêem em Cristo, esta
afirmação nega a verdade bíblica que os crentes têm, verdadeiramente, nascido
de Deus a fim de tornarem-se filhos de Deus possuindo a vida e a natureza de
Deus. Enquanto para alguns, regeneração
é uma mera analogia, para Deus regeneração é uma realidade divina que envolve o
dispensar da vida e natureza divinas para dentro dos crentes. Àqueles que recebem Cristo, que crêem em Seu
nome, é dada autoridade para tornarem-se filhos de Deus, gerados de Deus. Os teólogos não têm o direito de considerar
como analogia aquilo que Deus considera como verdade. Renovação “O conceito [regeneração] é de
Deus renovando o coração, o cerne do ser de uma pessoa, pelo implantar um novo
princípio de desejo, propósito e ação, uma dinâmica disposicional que encontra
expressão na resposta positiva ao evangelho e seu Cristo” (Packer 157). Várias coisas são difíceis aqui, a primeira
das quais é a palavra renovar.
Renovar significa “restaurar a uma condição anterior”, “restaurar a um
estado anteriormente melhor”. Entendida
como renovação, regeneração é suposta denotar uma restauração de algo a uma
condição prévia superior em relação à condição presente. Que estado ou condição poderia ser
este? A única resposta, dada as
limitações desta definição, é o estado original da espécie humana no momento da
criação. Um outro problema é que nos é
dito que regeneração é uma renovação do coração, isto é, a restauração do
coração a um estado anterior e melhor.
Embora um resultado da regeneração seja que o Senhor nos dá um novo
coração, a regeneração tem lugar não no coração mas no espírito, como a Palavra
do Senhor em João 3:6 claramente revela.
Definir regeneração em relação ao coração e não ao espírito é errar
seriamente o alvo e tanto desinformar quanto mal direcionar o leitor. Além do mais, é alegado que regeneração
implanta “um novo princípio de desejo, propósito e ação” e que este novo princípio é chamado “uma dinâmica
disposicional”. O que quer que este
“novo princípio”, esta “dinâmica disposicional”, suponha-se ser, ele
evidentemente não está relacionado com a vida divina, a vida eterna, a vida de
Deus; de outra forma, a vida divina teria sido mencionada e o novo princípio e
a dinâmica definidos com relação a ela.
egeneração não é restauração – regeneração é uma nova criação, na qual alguém recebe a vida divina e torna-se uma pessoa diferente quer seja da humanidade na criação quanto da humanidade na queda. Portanto, regeneração não é restauração a um estado prévio existente; ao contrário, regeneração leva alguém para dentro de um novo plano de existência, muito diferente e muito mais elevado do que a existência da humanidade na criação de Deus. Quando um ser humano nasce, a criança não é restaurada a um estado de existência prévio e preferível mas entra num âmbito totalmente novo de existência. Da mesma maneira, quando um crente em Cristo nasce de Deus, o crente não é restaurado a uma condição prévia de existência infalível, mas entra num âmbito totalmente novo de existência – o âmbito do reino de Deus, da família de Deus, da nova criação. Uma Negação da Deificação A regeneração
é deificação?... Um filho de Deus está cônscio de que ele cessa de ser humano e
torna-se divino quando ele passa pela
conversão?... O filho regenerado de Deus é humano ou divino. Se ele continua humano, então
verdadeiramente não foi gerado... Se ele se torna divino na regeneração, então
a conversão é a aniquilação da identidade.
(Webb 184) Aqui temos uma composição de erro,
de uma concepção errônea e de uma falsa antítese. A afirmação assume que um filho de Deus não pode ser tanto humano
quanto divino, que o ser humano anula o ser divino e vice-versa, e que
regeneração não envolve um gerar real, ainda que a Bíblia revele que isto
ocorre (João 1:12,13). Em resposta a esta fuga casuística
da verdade, começamos com uma afirmação: Sim, regeneração é deificação – no
sentido de Deus levar os crentes em Cristo a se tornarem divinos em vida e em
natureza mas não em Deidade ou como um objeto de adoração. Como um filho tem a vida e a natureza do seu
pai, mas não o status, a pessoa ou a paternidade do seu pai, assim um filho de
Deus tem a vida e a natureza do Pai divino, mas não o status, a pessoa ou a
paternidade do Pai. Um filho nascido
dos seres humanos é humano pois, por meio da geração, este filho tem a vida
humana e a natureza humana. Um filho de
Deus é divino porque, através da regeneração, este filho tem a vida divina e a
natureza divina. Neste sentido limitado
e restrito, nós nos tornamos divinos por meio da regeneração. Entretanto, não deixamos de ser humanos como
resultado da nossa regeneração. Pelo
contrário, permanecemos humanos, contudo, agora temos a vida divina em adição à
vida humana natural e, desta maneira, somos divinos como também humanos,
retendo nossa identidade pessoal tanto como criaturas de Deus, quanto como
filhos do Pai.
afirmação citada acima pressupõe uma falsa antítese em dizer que
“o filho regenerado de Deus ou é humano ou divino”; a verdade é que um filho
regenerado de Deus é tanto humano quanto divino. Nós temos sido nascidos, gerados de Deus, contudo permaneceremos
para sempre seres humanos com uma identidade pessoal. É incorreto asseverar que regeneração, definida como um gerar
genuíno por Deus, deve necessariamente acarretar a aniquilação da nossa
identidade humana. Conforme a revelação
divina nas Escrituras, um filho de Deus é alguém que tem sido gerado por Deus
para ter a vida e natureza de Deus. Tal
filho gerado-de-Deus é tanto divino quanto humano, pois este filho é um ser
divinamente humano, um homem-Deus, o mesmo em vida e em natureza mas não na
posição do primeiro homem-Deus, o primogênito de Deus (Romanos 8:29). O significado da regeneração Comecemos agora a considerar, a partir das Escrituras, o significado de regeneração. Regeneração – Recebendo a
Vida de Deus para Ser um Filho de Deus A Bíblia revela que ser regenerado – nascer de novo, nascer de Deus – é receber uma outra vida – a vida eterna – em adição à nossa vida humana natural. Regeneração, portanto, não é a renovação de nossa vida anterior; regeneração é um processo pelo qual, por meio do crer para dentro do Filho de Deus (João 3:15,16), nós recebemos a vida de Deus a fim de tornamo-nos filhos de Deus. Dizer que nós recebemos uma outra
vida e que esta vida é a vida de Deus é dizer que recebemos uma espécie
particular de vida. Esta vida é a vida
de Deus, designada, no Novo Testamento, pela palavra grega zoe. “Porque assim como o Pai tem vida [zoe]
em Si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida [zoe] em Si mesmo” (João
5:26). O Espírito é “o Espírito da vida
[zoe]” (Romanos 8:2). “E o
testemunho é este: que Deus nos deu a vida [zoe] eterna; e esta vida [zoe]
está no seu Filho. Aquele que tem o
Filho tem a vida [zoe]; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a
vida [zoe]” (1João 5:11,12). O
Pai é a fonte da zoe; o Filho é a corporificação da zoe, e Ele
veio para que nós pudéssemos ter zoe e tê-la em abundância (João 10:10);
e o Espírito concede zoe (João 6:63; 1Coríntios 15:45; 2Coríntios
3:6). Tendo nascido de Deus para termos
a vida, a zoe, de Deus, nós podemos saber que “temos a vida [zoe]
eterna” (1João 5:13). Sendo nascidos de
Deus em nosso espírito (não em nosso coração) para receber a vida de Deus e tornarmo-nos filhos de Deus: este é o
significado bíblico essencial da regeneração.
Falar de regeneração sem mencionar a vida de Deus é equivocar-se (fazer
pontaria erradamente) acerca da regeneração e desencaminhar outros. Terminação e Germinação Segundo a Bíblia, regeneração
envolve tanto a terminação quanto a germinação como expressado pelas palavras água
e Espírito em João 3:5, onde água refere-se ao sepultamento
no batismo e Espírito aponta para o nascer no espírito. Na regeneração, nossa natureza humana caída
não é re-criada. Ao contrário, a
natureza humana caída, pecaminosa, que foi envenenada com o elemento de
Satanás, a serpente (João 3:14) é julgada por Deus – terminada por meio da cruz
de Cristo e sepultada no batismo (onde a água significa terminação, não
regeneração). Regeneração é também um
assunto de germinação, pois regeneração é nascimento espiritual, no qual
recebemos a vida de Deus – a vida divina, eterna, indestrutível – em adição à
nossa vida natural, criada, humana. Por
intermédio da regeneração, o Espírito de Deus traz a vida divina com a natureza
divina para dentro do espírito humano do crente (a fé é, logicamente, anterior
à regeneração – João 3:16), levando o espírito a ser vivificado, nascido de
Deus. Ser regenerado é ser nascido do
Espírito em nosso espírito (João 3:6).
Tal como o nosso primeiro nascimento – o nascimento natural através dos
nossos pais – nos levou a obter a vida humana, assim nosso segundo nascimento –
o nascimento espiritual em nosso espírito através do Espírito de Deus – nos
levou a obter a vida divina. Deus tem
posto Sua vida dentro do nosso espírito.
Isto é regeneração. Em grande parte do ensino
teológico tradicional, é-nos dito que devemos nascer de novo, pois somos caídos
e pecaminosos. Isto, entretanto, é
apenas parte da verdade. Realmente, a
regeneração é necessária por duas razões.
A razão primeira e menor, por que necessitamos ser regenerados, é o fato
que nossa natureza humana foi corrompida através da queda, tendo se tornado
perversa, má e pecaminosa, contaminada pela natureza de Satanás dentro de nós,
e portanto, não pode ser mudada ou melhorada (Jeremias 17:9; Romanos 7:18;
Jeremias 13:23). Portanto, nós necessitamos
ser regenerados e receber uma outra vida.
Esta é a verdade, e deve ser anunciada com fidelidade, severidade e
poder.
segunda, maior e principal razão por que precisamos ser
regenerados, é simplesmente por que, como seres humanos com uma vida humana,
não temos a vida divina. Isto significa
que precisamos ser regenerados não simplesmente por que somos pecaminosos
– nós necessitamos ser regenerados simplesmente por que somos humanos. E como humanos, somos criaturas de Deus, mas
não filhos de Deus. Quando fomos
criados por Deus, obtivemos apenas a vida humana criada, não a vida divina
incriada. Por conseguinte, nós éramos
criaturas de Deus, mas não filhos de Deus.
Visto que a intenção de Deus, em Sua criação da espécie humana, era que
os seres humanos pudessem receber a vida eterna (representada pela árvore da
vida, Gênesis 2:9) e cumprir Seu propósito pelo exercício desta vida, nós
teríamos necessidade de regeneração mesmo se não tivéssemos pecado e nossa vida
humana não tivesse se tornado má e corrupta.
A regeneração é necessária porque ela é o meio pelo qual obtemos a vida
eterna de Deus para o cumprimento do eterno propósito de Deus. Mesmo se não tivesse havido nenhuma
satanificação, a regeneração ainda teria sido necessária para a deificação,
pois o propósito de Deus é, primeiro, ter criaturas e então fazer dessas Seus
filhos através da regeneração para e como deificação. Se virmos o significado intrínseco da regeneração e se
entendermos que, conforme a economia de Deus, fomos criados para ser
regenerados, nascidos para ser renascidos, entenderemos que os seres humanos
precisam nascer de Deus porque são humanos e não somente porque são
pecaminosos. Nós devemos enfatizar o fato que ser regenerado é receber uma outra vida – a vida de Deus divina, eterna, incriada – em adição à nossa vida humana original. Podemos obter vida eterna somente por ser nascidos de Deus. A regeneração tem lugar quando o Espírito de Deus imparte a vida de Deus para dentro do espírito humano criado por Deus. Se apreendermos este assunto vital, e reconhecermos o que é a regeneração verdadeiramente, entenderemos que devemos ser nascidos de Deus pois não temos a vida de Deus. Entender isto é entender regeneração não apenas do ponto de vista da humanidade caída mas da perspectiva transcendente do Deus vivo. Agora, podemos ver que o alvo da regeneração não é principalmente tratar com nossa vida humana caída, mas primordialmente trazer a vida divina para dentro de nós para o propósito eterno de Deus. Este, de acordo com a Palavra de Deus, é o significado da regeneração. Muitos filhos regenerados de Deus têm sido fiéis em testificar corajosamente, considerando isto: Tornar-se um
participante da natureza divina é a maior bênção que pode vir a qualquer homem
deste lado do céu... Quando nasci de minha mãe, obtive uma natureza de minha
mãe, e obtive vida dela; entrementes em Boston, dezessete anos depois, eu nasci
do alto; eu obtive vida de Deus, uma nova vida, distinta e separada da vida
natural. Eu obtive uma vida que é eterna
como a vida de Deus; uma vida que não tem fim; vida eterna. (Moody 89,91) Regeneração
é uma relação de nascimento com Deus, instantâneo e indissolúvel... A menos que [nós] realmente entendamos o
significado desta relação de nascimento com Deus, o progresso na vida cristã
será lento e incerto... Se os cristãos pudessem apenas lembrar que a vida que
eles recebem na regeneração é a Vida Incriada – a Vida de Deus que jamais
pode mudar, e que Ele os chama Seus próprios filhos, eles cessariam
de permitir que suas emoções flutuantes determinassem sua POSTURA diante de
Deus. Quando um pecador voluntariamente
admite sua pecaminosidade, sua condição perdida, e definitivamente volta-se do
pecado para Deus – apropriando-se da Vida de Deus em Cristo Jesus – neste mesmo
instante, ele se torna um filho de Deus, e por toda a eternidade ele será um
filho de Deus; pois ele é colocado
dentro da esfera da vida eterna;
portanto, ele agora possui, em seu espírito, uma Vida que permanecerá
ali enquanto Deus vive. (Veja João
1:12; Romanos 8:16,17). Isto é o que
regeneração significa. (Mc Donough 67)
Desde toda a
eternidade, Deus propôs ter um círculo familiar de Si mesmo, não somente
criado mas também gerado por Sua própria vida, incorporando Sua própria
semente... A fim de obter este relacionamento familiar pessoal, orgânico, Deus
concebeu o plano de criação infinitamente vasto, infinitamente sábio mais a
redenção por meio do novo nascimento, a fim de
trazer “muitos filhos à gloria” (Hebreus 2:10)... Cristo é o Protótipo
segundo o qual todos os outros filhos estão sendo modelados. Em João 1:12,13 nós aprendemos que o plano
da redenção foi inaugurado para estabelecer um método gerador único e
original pelo qual estes “muitos filhos” nasceriam e seriam
progressivamente disciplinados por um processo de santificação, de maneira a
conduzi-los à glória... Este é o propósito de Deus no plano da redenção –
produzir por meio do novo nascimento uma espécie inteiramente nova e única,
réplicas exatas do Seu Filho... Eles devem ser cópias exatas dEle, genótipos
verdadeiros, tão plenamente semelhantes a Ele quanto é possível para
o finito ser semelhante ao infinito. (Billheimer
36-37) Os escritos de
João acerca dos mistérios da vida eterna divina enfatizam muitíssimo o
nascimento divino (1João 3:9; 4:7; 5:1,4,18; João 1:12,13), que é nossa
regeneração (João 3:3,5). É a maior
maravilha em todo o universo que os seres humanos podem ser gerados de Deus e
pecadores podem ser feitos filhos de Deus!
Por meio de tal maravilhoso nascimento divino, nós temos recebido a vida
divina, que é a vida eterna (1João 1:2), como a semente divina semeada em nosso
ser (1João 3:9). Desta semente, todas
as riquezas da vida divina crescem de dentro de nós. (Versão Restauração, 1João 2:29, nota 7). Ser nascido do
Espírito é um assunto tremendo, pois significa ser realmente nascido de
Deus. Por que temos sido criados por
Deus, somos criaturas de Deus, e por que somos caídos, somos pecadores. Entretanto, nós, criaturas e pecadores, temos nascido de Deus... Por mais
estonteante que possa parecer, através da regeneração temos recebido a vida e a
natureza de Deus. Este
entendimento da regeneração destrói o conceito natural... A intenção [de Deus]
em Sua economia é regenerar-nos, para levar-nos a sermos filhos de Deus
nascidos dEle. Este assunto é
indizivelmente grande. ...Certamente
não há maior maravilha em todo o universo do que o fato que estes homens
pecadores ao serem regenerados podem tornar-se filhos de Deus. Muitos hoje estão procurando maravilhas e
milagres. Entrementes, não entendem que
não há maior milagre que a regeneração.
Pela regeneração as pessoas caídas tornam-se filhos de Deus. Em Sua salvação Deus tem feito a nós,
pecadores caídos, filhos divinos. ...Ser
regenerado é simplesmente ser nascido de Deus.
Na regeneração, Deus como o Espírito que dá vida, vem para dentro do
nosso espírito a fim de regenerar-nos com Sua vida e natureza. Esta é a razão por que o Senhor Jesus disse:
“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”
(João 3:6). O que é nascido do Espírito
de Deus é nosso espírito regenerado.
Quando da nossa regeneração, o Espírito de Deus veio para dentro do
nosso espírito mortificado para vivificá-lo com a vida e a natureza divinas e
por meio disso fazer-nos filhos de Deus.
Que fato maravilhoso é que somos filhos de Deus! (Lee, Gálatas 279-281) O Resultado
da Regeneração Se somos iluminados para ver não somente o significado da regeneração mas também os efeitos, ou o resultado da regeneração, poderemos ver que regeneração é para deificação e que regeneração é deificação. Um
Relacionamento de Vida com Deus Através da regeneração, os crentes são vivificados com a
vida divina indissolúvel e são trazidos para dentro de um relacionamento de
vida com Deus. Isto significa que, por
meio da regeneração, somos trazidos para dentro de um relacionamento orgânico
com Deus, que é um relacionamento na vida divina. Por esta razão, somos chamados “filhos de Deus” (1João 3:1), um chamamento que, não como uma
metáfora, porém como uma denotação literal daquilo que somos, define nosso
relacionamento com Deus em vida. Ao
contrário do que é suposto por alguns, nosso relacionamento com Deus não é
meramente objetivo e judicial, mas também subjetivo e orgânico, isto é, na
vitalidade e atividade da vida.
Justificação, conforme o entendimento de Paulo em Romanos 5:18 é
“justificação de vida”, indicando que vida (zoe) é ao alvo da salvação
de Deus. Nós fomos justificados a fim
de sermos regenerados. Num verdadeiro
ordo salutis bíblico, justificação é logicamente anterior à
regeneração. Tendo sido justificados
pela fé em Cristo, somos regenerados, nascidos de novo, por crer para dentro
dEle. A justificação e a postura judicial
justa, que ela fornece, não são o alvo da salvação de Deus; o alvo de Deus em
Sua salvação é que tenhamos a vida de Deus sobre a base da justificação: Justificação não é um fim em si mesma; ela é para
vida. Através da justificação, temos
atingido o padrão da retidão de Deus e correspondemos a ela, de maneira que
agora Ele pode impartir Sua vida para nós.
Justificação muda nossa posição exterior; vida muda nossa disposição
interior. Justificação para vida indica
que a vida é o foco deste capítulo [Romanos 5] e que a união orgânica de vida é um resultado da justificação. (Versão Restauração, Romanos 5:18, nota 2) A expressão união orgânica é de importância crucial, pois ela denota um relacionamento na vida divina entre Cristo e Seus crentes por meio da regeneração baseada na justificação. Este relacionamento em vida é tipificado pela videira em João 15: Cristo Mesmo é a videira verdadeira, e nós, os regenerados, somos os ramos. Nós estamos nEle, e somos parte dEle organicamente. Ainda que possamos perder nossa comunhão com o Senhor, não podemos jamais perder nosso relacionamento de vida com Ele. Uma vez que tenhamos renascido, jamais podemos ser des-nascidos; pela eternidade, teremos um relacionamento orgânico com o Deus Triúno na vida divina que temos recebido dEle através da regeneração. Nosso Espírito Sendo Vida Em contraste com os escritos que afirmam que regeneração é uma renovação do coração, o Novo Testamento revela claramente que a regeneração, o novo nascimento, tem lugar em nosso espírito, que foi criado por Deus exatamente para este propósito (Zacarias 12:1). Ser regenerado é ser nascido do Espírito de Deus em nosso espírito (João 3:5,6); conseqüentemente, o que é nascido do Espírito de Deus é nosso espírito. “Regeneração é um nascimento do Espírito, o Espírito de Deus, que gera espírito, nosso espírito regenerado” (Lee, Conclusion 934). O ponto focal da regeneração não é o coração nem a alma, mas o espírito. A regeneração é efetuada no espírito humano pelo Espírito Santo com a vida de Deus, a vida eterna, incriada. Isto nos leva a um assunto maravilhoso enunciado em Romanos 8:10: “Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça”. A justiça – Deus em Cristo como o Espírito – que recebemos na justificação de Deus é a base, em nossa experiência, para a regeneração de Deus. Cristo, como nossa justiça, não tem sido apenas contabilizado a nosso favor judicial e objetivamente, porém Cristo como nossa justiça tem entrado no nosso espírito orgânica e subjetivamente. Esta justiça resulta em vida (Romanos 5:18,21). Como resultado, nosso espírito é vida; isto é o que Romanos 8:10 diz.
Nosso espírito não foi apenas vivificado, nosso espírito não está meramente vivo, e nosso espírito não tem apenas vida; nosso espírito é a própria vida. “Quando cremos em Cristo, Ele como o Espírito divino de vida veio para dentro do nosso espírito e mesclou-Se com ele; os dois espíritos portanto se tornaram um espírito (1Coríntios 6:17). Agora, nosso espírito não está meramente vivo, mas é vida” (Versão Restauração, Romanos 8:10, nota 6). A palavra grega para vida neste verso é zoe, e zoe, nós devemos lembrar, designa a vida de Deus, a vida divina, eterna. Esta vida não é simplesmente algo de Deus – esta vida é Deus. Somos constrangidos a concluir, portanto, que para nosso espírito ser vida, zoe, significa que nosso espírito tem, num sentido muito real, se tornado divino. Isto indica que regeneração é para deificação e, ainda mais, que regeneração é deificação. Quando nascemos de Deus, regenerados pelo Espírito de Deus, nós, em nosso espírito, nos tornamos o mesmo que Deus em vida. A Lei do Espírito da Vida Por meio da regeneração, temos a vida divina, e agora nosso espírito regenerado é vida, e nesta vida, a qual temos e na qual nosso espírito está, é “a lei do espírito da vida” – a lei da vida (Romanos 8:2). Toda vida tem uma essência de vida, uma forma de vida, e uma lei de vida. A lei de um tipo particular de vida é a capacidade inata, a função automática e a operação espontânea desta vida. Quanto mais elevada é uma determinada vida, mais elevada é a sua lei. Visto que a vida de Deus é a vida mais elevada, a lei desta vida é a lei mais elevada. Quando nascemos de Deus, a lei da vida de Deus começou a operar dentro de nós conforme sua competência inata. A atividade principal da lei da vida dentro de nós não é regular-nos mas governar nosso crescimento e desenvolvimento na vida divina até que atinjamos a maturidade e sejamos qualificados para exercitar os privilégios de filhos maduros de Deus. Da mesma forma que a vida humana se desenvolve da gestação à maturidade pelo poder da lei da vida humana, assim a vida divina dentro de nós, no devido tempo, chegará à maturidade pelo poder, capacidade e competência da vida divina. A lei de vida tem como seu objetivo principal nossa conformação à imagem do primogênito Filho de Deus (Romanos 8:29). Se formos iluminados para ver o que a lei de vida é e para conhecer que esta lei está em nós, poderemos, talvez gradualmente, entender que a vida cristã, a vida dos filhos de Deus, é vivida não pelo auto-esforço mas pela lei da vida. À medida que caminhamos no espírito mesclado, nosso espírito regenerado mesclado com o Espírito que dá vida, as justas exigências da lei de Deus serão cumpridas em nós automaticamente e sem esforço (Romanos 8:4). Estas exigências não são “conscientemente guardadas por nós através do nosso esforço externo mas [são] espontânea e inconscientemente cumpridas em nós pelo operar interior do Espírito de vida” (Versão Restauração, Romanos 8:4, nota 1). Filhos de Deus Um dos resultados mais maravilhosos da regeneração é que aqueles que creram para dentro de Cristo, o Filho de Deus, e O receberam para dentro deles nasceram de Deus para se tornarem filhos genuínos possuindo a vida e a natureza de Deus. “Visto que regeneração significa nascer de Deus, ela automaticamente nos leva a tornar-nos filhos de Deus (João 1:12,13)” (Lee, Regeneration 11). Deus é verdadeiramente nosso Pai, e somos verdadeiramente Seus filhos. “Agora somos filhos de Deus” (1João 3:2). Por que recebemos Cristo e fomos gerados de Deus, o Pai nos tem dado “a autoridade de nos tornarmos filhos de Deus” (João 1:12,13); esta autoridade é a vida divina que recebemos através da regeneração. “Através do receber Cristo como Salvador, pecadores crentes tornam-se filhos de Deus... A única maneira de nos tornarmos um membro da família de Deus é nascer dentro dela... Isto envolve o receber da vida, ou regeneração” (Lightner 203). As afirmações evidentes da Escritura nos dizem diretamente que aqueles que têm nascido de Deus, têm sido regenerados, são filhos de Deus. “O próprio Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8:16).
amentavelmente, alguns teólogos consideram a regeneração como nada mais que uma parábola ou metáfora. “Regeneração é um conceito do Novo Testamento que cresceu, parece, de uma expressão figurada parabólica que Jesus usou para mostrar a Nicodemos a interioridade e profundidade da mudança pela qual mesmo os judeus religiosos devem passar se eles quiserem um dia ver e entrar no reino de Deus, e portanto ter a vida eterna” (Packer 157). Conforme esta opinião, quando Jesus disse a Nicodemos, “Você deve nascer de novo” (João 3:7), ele não estava realmente Se referindo a qualquer tipo de nascimento espiritual; Ele estava empregando uma “expressão figurada parabólica” a fim de mostrar uma necessidade profunda, interior. De acordo com este entendimento, a palavra nascer nos versos 3 e 5 até o 8 realmente não quer dizer nascer, e portanto ninguém verdadeiramente “nasce do Espírito” (vv. 6,8). Certamente, é preferível receber a palavra do Senhor literalmente. Da mesma forma que “nascido da carne é carne” não é uma parábola, assim “nascido do Espírito é espírito” não é uma metáfora. À vista de Deus, o nascimento físico é mais real que o nascimento espiritual? Certamente não! Regeneração é uma realidade, nós somos filhos de Deus em verdade, e Deus verdadeiramente é nosso Pai. Outros negam a realidade da regeneração como um nascimento divino produzindo filhos divinos apelando a seu entendimento de adoção e então prosseguindo em insistir que ao invés de nascer de Deus, os crentes são adotados por Ele. Nós admitimos que, no uso bíblico, adoção (filiação é a tradução preferida da palavra grega) “significa ser colocado como um filho adulto na família de Deus, com todos os direitos, privilégios, e responsabilidades da filiação” (Lightner 203). Entendida desta maneira, a adoção não conflita com regeneração porém lhe é atribuída. Antes de podermos tornar-nos filhos adultos, devemos nascer como filhos. A Bíblia em nenhum lugar diz que somos filhos de Deus por adoção; ao contrário, a Palavra consistentemente diz-nos que os crentes em Cristo são filhos de Deus, nascidos dEle. Consideremos, como uma comparação, o fato que o diabo é o pai que tem gerado filhos malignos, pecaminosos. O próprio Senhor Jesus sabe que o diabo é um pai, e que aqueles nascidos dele são seus filhos: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos” (João 8:44). “Pois o diabo é o pai dos pecadores, os pecadores são filhos do diabo (1João 3:10). O diabo é a antiga serpente (Apocalipse 12:9; 20:2), e os pecadores são também serpentes, a raça de víboras (Mates 23:33; 3:7)” (Recovery Version, João 8:44, nota 1). Visto que alguns podem rejeitar isto como mera metáfora, está certamente mais de acordo com a revelação divina, especialmente com as palavras do próprio Filho de Deus, entender que isto é um fato. O diabo é um pai, ele tem, com certeza, filhos. Como estes filhos foram trazidos à existência? O inimigo de Deus, desejando ter sua própria família, adotou toda a raça humana e lhes fez seus filhos por adoção? Para dizer o mínimo, isto é uma sugestão absurda. O diabo não adotou filhos; ele procriou, gerou, produziu filhos – filhos do diabo, na palavra do apóstolo João – e seus filhos são o mesmo que ele em vida, em natureza, em constituição e em expressão. Esta é uma terrível realidade, e o Senhor Jesus morreu na cruz como nossa oferta de pecado na forma de uma serpente (Romanos 8:3; João 3:14) a fim de destruir o diabo e nulificar seu complô contra a economia de Deus, seu diabólico programa de satanificação universal. Suporíamos que o diabo pode ser um pai e que Deus não pode? Creríamos que Satanás pode gerar filhos, mas Deus o Pai não pode fazer nada mais que adotar filhos? Tal conceito é indigno de Deus e contrário à verdade. A verdade revelada é que nós que uma vez fomos serpentes, filhos do diabo, temos crido em Cristo, o Filho do Homem que morreu para nossa redenção e libertação, e que por crermos para dentro dEle, recebemo-lO como a vida divina, eterna. Em e através desta vida, temos nascido de Deus para nos tornarmos filhos de Deus, que são bem-aventurados em participar da natureza divina (2Pedro 1:4) e por isso, tornarmo-nos Deus em vida e em natureza, mas não em Deidade. Uma vez fomos a reprodução de Satanás, mas agora, em Cristo e baseados na Sua redenção, somos a ampliação de Deus (João 12:24). Um Novo Ser, um Novo
Homem Como os filhos de Deus, somos um novo ser, um novo homem. Regeneração é o início do novo homem dentro de nós (Colossenses 3:10-11). Cada nascimento produz um ser. Quando nasce um filho, um ser vivo é gerado. O princípio é o mesmo no nascimento divino, regeneração. Quando nascemos do Espírito em nosso espírito e a vida divina foi dispensada para dentro do nosso espírito, nós nos tornamos um novo ser, um novo homem. Outrora, em Adão, nós éramos parte do velho homem (Romanos 6:6); agora, em Cristo, nós somos parte do novo homem (Efésios 2:15; 4:24). A vida divina recebida através da regeneração é um novo elemento, e à medida que este elemento (um atributo do próprio Deus sempre-novo) mescla-se com nosso espírito, ele se torna o novo homem dentro de nós. Como resultado, nosso espírito regenerado, mesclado com o Cristo que habita como o Espírito vivificante, é nosso homem interior (Efésios 3:16), e este homem interior é parte do novo homem. Realmente, entretanto, em nossa complicada condição presente e em nosso viver diário, nós somos um “homem duplo”. “Cada um de nós que tem sido regenerado é um homem duplo. Nós somos, de um lado, o homem velho, caído em Adão, e somos, por outro lado, o homem novo, regenerado em Cristo” (Lee, Regeneration 5). Não obstante esta situação dupla, nascemos de Deus, e este nascimento divino é o início do processo no qual nós nos tornamos um ser totalmente novo, um novo homem, na vida divina. Luz no Senhor Como resultado da regeneração, somos também “luz no Senhor” e “filhos da luz” (Efésios 5:8). “Deus é luz, e não há nEle treva nenhuma” (1João 1:5). Luz é a natureza da expressão de Deus, ou a natureza de Deus em Sua expressão. Visto que o próprio Deus é luz, portanto nós, os filhos de Deus, somos filhos da luz, nascidos de Deus, Que é luz, por crer para dentro de Cristo como a luz do mundo, a corporificação da luz divina (João 12:35,36; 8:12). Nós não somos apenas filhos da luz – nós somos a própria luz. Primeiramente, João 1:5 diz que Deus é luz, e Efésios 5:8 diz que nós somos luz. Em João 8:12, o Senhor Jesus declara “Eu sou a luz do mundo”, e em Mateus 5:14 Ele diz: “Vós sois a luz do mundo”. Estes versos indicam que, num sentido muito real e maravilhoso, nós nos tornamos o que Deus é, como luz. Somos Deus (divino) em vida e em natureza, e como luz, a natureza de Deus, em Sua expressão. Como nos tornamos, com Cristo e em Cristo, a luz do mundo, da mesma forma que ele é a luz do mundo? A palavra do Senhor Jesus em João 12 revela que nós nos tornamos luz por sermos nascidos do próprio Deus Que é luz. Jesus veio como “luz para o mundo” (v. 46), e aqueles que “crêem para dentro da luz... tornam-se filhos da luz” (v. 36). Tendo nascido de Deus Que é luz, nós somos luz no Senhor!
ós somos luz não em nós mesmos mas no Senhor. “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor” (Efésios 5:8). Antes de sermos justificados pela fé e regenerados pela vida, nós não estávamos somente nas trevas, mas éramos verdadeiramente trevas. “Como luz é a natureza de Deus em Sua expressão, assim treva é a natureza de Satanás em suas obras diabólicas ([1João] 3:8). Graças a Deus que Ele nos libertou das trevas satânicas para dentro da luz divina” (Atos 26:18; 1Pedro 2:9) (Versão Restauração, 1João 1:5, nota 4). Em Sua grande misericórdia, Deus “nos libertou da autoridade das trevas e nos transportou para dentro do reino do Filho do Seu amor”, onde desfrutamos nossa porção do Cristo todo-inclusivo “como a porção repartida aos santos na luz” (Colossenses 1:12,13). Somos filhos da luz no âmbito da luz, contudo mais ainda é verdade – somos luz. “Da mesma forma que Deus é luz, assim Satanás é trevas. Nós éramos trevas, pois éramos um com Satanás. Agora, somos luz, pois somos um com Deus no Senhor” (Recovery Version, Efésios 5:8, nota 1). Somos luz somente no Senhor, nunca em nós mesmos. A feliz frase no Senhor aponta para nossa união orgânica com Cristo na vida divina. Ele é luz, até mesmo Deus como luz, e na união orgânica com Ele, nós somos luz, e nós somos até mesmo Deus em Sua natureza expressada como luz. Agora, precisamos “caminhar como filhos da luz” (Efésios 5:8), caminhando “na luz, como Ele está na luz” (1João 1:7) e produzindo “o fruto da luz” que “consiste em toda bondade, e justiça, e verdade” (Efésios 5:9) . O fruto da luz, que é bom em natureza, justo em procedimento, e real em expressão envolve o Deus Triúno experienciado por nós e vivendo em nós. O fruto da
luz em bondade, justiça, e verdade está
relacionado com o Deus Triúno. Bondade
denota Deus o Pai pois o Único que é
bom é Deus (Mateus 19:17). Justiça
denota Deus o Filho, pois Cristo veio para realizar o propósito de Deus
conforme o justo procedimento de Deus (Romanos 5:17,18,21). Verdade denota Deus o Espírito, pois Ele é
o Espírito da realidade (João 14:17).
Verdade também denota a expressão do fruto na luz. (Recovery Version, Efésios 5:9, nota 1) A Espécie de Deus –
Espécie Deus-Humana Aqueles que são filhos de Deus, nascidos de Deus para ter a vida de Deus, são a espécie da espécie Deus-humana. A palavra espécie é usada com precisão; ela denota uma classe de organismos vivos agrupados em virtude de seus atributos comuns. Por que nascemos de Deus para ter a vida e natureza de Deus, nós, dentro dos limites da economia de Deus, somos a espécie de Deus compartilhando certos atributos em comum (por exemplo, vida, luz, amor, justiça, santidade e glória). Naturalmente, nós não, e nunca, compartilharemos os atributos divinos incomunicáveis, tais como auto-existência, onipotência, onisciência e onipresença. Para elucidar mais ainda, nós precisamos discernir a diferença entre a espécie de Deus e a espécie humana. Gênesis 1 revela que, com exceção do homem, todas as coisas vivas foram criadas conforme a “sua espécie” (vv. 11,12,21,24,25). O homem não foi feito conforme a sua espécie, mas conforme a espécie de Deus (vv. 26,27), pois o homem foi criado à imagem de Deus e conforme a semelhança de Deus. Portanto, o homem foi criado não conforme a própria espécie do homem, mas conforme a espécie de Deus. Realmente, Deus não criou a espécie humana, isto é, o homem conforme si mesmo, o homem conforme sua própria espécie; e antes da queda do homem, não havia espécie humana, somente o homem como espécie de Deus. Da perspectiva de Deus, espécie humana é um termo negativo e na economia de Deus não deve haver qualquer espécie humana. Quando o homem apostatou de Deus e começou a viver por si mesmo e conforme si mesmo, o homem tornou-se espécie humana. (Ao mesmo tempo, o homem, tendo sido envenenado pela natureza de Satanás que foi injetada dentro dele e então transmitida à sua descendência, também se tornou espécie de Satanás). Desta maneira, o homem criado por Deus conforme a espécie de Deus tornou-se espécie humana, o homem conforme a sua própria espécie.
m Sua salvação completa, o povo escolhido e redimido de Deus não é restaurado ao status humano original do ser da espécie de Deus; ao contrário, eles são regenerados para serem elevados a um status muito mais alto e para tornarem-se uma nova espécie – espécie Deus-humana. Isto está de acordo com a intenção original de Deus, Seu eterno propósito, ter os seres humanos criados por Ele conforme a Sua espécie para serem regenerados por Ele a fim de tornarem-se espécie Deus-humana. Na criação, o homem foi criado como uma certa espécie – espécie de Deus; na regeneração, o povo redimido de Deus é regenerado para tornar-se outra espécie, mais elevada – espécie Deus-humana, espécie humano divina. Não falamos negligentemente como alguns que promovem a assim chamada teologia dos “pequenos deuses”. Os filhos de Deus, como membros da família de Deus, são, em Cristo e conforme a economia de Deus, da espécie de Deus somente no sentido restrito de compartilhar a vida divina, a natureza divina, e outros atributos divinos comunicáveis. Jamais alcançaremos a Deidade; portanto, num sentido absoluto, Deus permanecerá eternamente em Sua própria espécie, pois somente Ele é auto-existente, Deus sempre-existente – o Pai, o Filho, e o Espírito, co-existindo e co-inerindo na Deidade de eternidade a eternidade. Não obstante, este Deus glorioso, todo-poderoso – único em Sua natureza divina – deleitar-se-á em ser expresso corporativamente em e através da nova espécie gerada em Sua vida por meio da regeneração – os muitos filhos de Deus, os muitos homens-Deus, os muitos irmãos de Cristo, entre os quais Ele, como o Primogênito, terão para sempre a primazia. Entrando no e Tornando-se
Parte do Reino de Deus Em João 3:3, o Senhor Jesus disse: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. No verso 5, Ele continuou a dizer: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”. A palavra do Senhor mostra uma conexão vital e intrínseca entre regeneração e o reino de Deus. Por toda a Bíblia como um todo, o reino de Deus é o domínio de Deus, de uma maneira geral, sobre o universo inteiro. O trono de Deus está estabelecido acima de tudo, e Ele governa sobre tudo; portanto, todo o universo com todos e com tudo é o reino de Deus. Deus rege Sua criação pelo Seu poder e autoridade. Como estes versos de João 3 indicam, o reino de Deus não é apenas o governo de Deus de uma maneira geral mas também de uma maneira particular – no sentido de vida. Visto da perspectiva de vida, o reino de Deus é um âmbito de vida na qual o governo de Deus é feito, através dEle mesmo, como vida. Se é para alguém entrar no reino de Deus como uma esfera onde Deus governa em vida, este deve nascer de Deus para ter a vida de Deus. Então, e somente então, alguém pode entrar no reino de Deus. Verdadeiramente, não é incomum falar de um reino em relação a um certo tipo de vida, pois um reino está sempre relacionado com vida. O reino vegetal é a totalidade da vida vegetal com suas atividades, e o reino animal, da vida animal com suas atividades. Da mesma forma, o reino humano é a totalidade da vida humana e as atividades humanas. Aqui, vemos um princípio: um reino é constituído com um tipo particular de vida, e somente aqueles que compartilham desta vida podem entrar no, participar em, e ser parte deste reino. A fim de entrar no e tornar-se parte de um certo tipo de reino, compartilhando da vida e participando das atividades deste reino, deve-se primeiramente ter a vida deste reino. Este princípio resulta no reino de Deus. O reino de Deus é a totalidade da vida de Deus e todas as suas atividades. A fim de entrar no reino de Deus, deve-se nascer de Deus para ter a vida de Deus, que é a vida do reino de Deus e a vida no reino de Deus. Por que fomos regenerados para ter a vida divina, nós estamos qualificados para entrar no e ser parte do reino divino. Isto indica que a única maneira de entrar no reino de Deus é nascer dentro deste reino. De um lado, o alvo da regeneração é o reino de Deus; do outro lado, regeneração é o caminho para entrar no reino de Deus como o domínio do governo de Deus em vida. Do ponto de vista da regeneração, o alvo é o reino; do ponto de vista do reino, o meio de entrar é regeneração. O reino de Deus como a região onde Deus governa em vida é a região da espécie divina. Todos aqueles que são da espécie de Deus estão no e são parte do reino de Deus. Nós, os crentes regenerados, somos da espécie de Deus no reino de vida de Deus: O reino de Deus é o domínio de Deus. Este domínio divino é uma região, não apenas
do domínio divino, mas também da espécie divina, no qual estão todas as coisas
divinas... Deus tornou-Se carne a fim de entrar na espécie humana, e o homem
torna-se Deus em Sua vida e natureza, mas não em Sua Deidade divina, para
entrar em Sua espécie divina. Em João 3
o reino de Deus refere-se mais à espécie de Deus que ao domínio de Deus... Para
entrar no âmbito divino, o âmbito da espécie divina, nós precisamos nascer de
Deus, ter a natureza e vida divinas... Que o homem foi criado à imagem de Deus
e conforme a Sua semelhança indica que o homem foi criado segundo o tipo de
Deus, a espécie de Deus... Deus criou o homem, não conforme a espécie do homem,
mas à imagem de Deus e conforme a semelhança de Deus para ser da espécie de
Deus... Os crentes, que são nascidos de Deus pela regeneração para serem Seus
filhos em Sua vida e natureza mas não em Sua Deidade (João 1:12,13), são mais
da espécie de Deus que Adão foi. Adão
teve apenas a aparência de Deus sem a realidade interior, a vida divina. Nós temos a realidade da vida divina dentro
de nós e estamos sendo transformados e conformados à imagem do Senhor em todo o
nosso ser. É lógico dizer que todos os
filhos de Deus estão no âmbito divino da espécie divina... Nós somos
homens-Deus na espécie divina, isto é, no reino de Deus. (Lee, João 123-124). Habitado pelo Deus Triúno Como a espécie de Deus, nós vivemos em Deus e no reino de Deus (João 14:20; 15:4). Ao mesmo tempo, o Deus Triúno habita em nós. Deus o Pai está em nós (Efésios 4:6); Cristo o Filho está em nós (Colossenses 1:27; Romanos 8:10; 2Coríntios 13:5); e o Espírito está em nós (João 14:17). O maravilhoso, Deus Triúno habitante está Se dispensando para dentro de nós (2Timóteo 1:14; Romanos 8:11) e está fazendo Sua morada em nós, fortalecendo-nos dentro do nosso homem interior e enchendo-nos de toda a plenitude de Deus (Efésios 3:16-19). Visto que os três da Trindade Divina são distinto mas inseparáveis, onde um está, os outros também estão. Todos os três estão em nós, em particular, em nosso espírito regenerado, que é o lugar de habitação de Deus (Efésios 2:22). Como o Deus Triúno – Deus corporificado em Cristo e concretizado como o Espírito vivificante – veio para dentro de nós? Sem exagero ou distorção, podemos dizer que Deus nasceu dentro de nós. Quando fomos regenerados por crer em Cristo e recebê-lO, o Deus Triúno em Sua Trindade Divina nasceu para dentro do nosso ser. Isto está conforme o princípio da encarnação. Não devemos dizer que os crentes são encarnações de Deus no sentido único no qual Cristo foi e é; ao invés, devemos dizer que, de acordo com o princípio da encarnação, nós somos a continuação da encarnação única. O essencial aqui é que temos Deus em nós. O Deus Triúno não está meramente conosco e próximo a nós; Ele está em nós, pois Ele nasceu para dentro de nós. Toda vez que um ser humano nasce de Deus, Deus nasce dentro de um ser humano. Um Espírito com o Senhor Um outro resultado da regeneração é que somos agora um espírito com o Senhor. “Aquele que se une ao Senhor é um espírito” (1Coríntios 6:17). Nós temos enfatizado o fato que regeneração tem lugar no espírito humano e que ser regenerado é nascer do Espírito em nosso espírito. Quando nosso espírito nasceu do Espírito de Deus com a vida de Deus, o Espírito, com a vida divina, foi mesclado com nosso espírito vivificado. Como resultado, nosso espírito tornou-se um espírito mesclado – o espírito do homem regenerado com o Espírito regenerador de Deus. Neste espírito mesclado nós desfrutamos de uma união orgânica com o Senhor, e somos um espírito com Ele. Em virtude da regeneração, nós estamos nEle, Ele está em nós, e somos um espírito com Ele. Quão profunda e quão íntima é nossa unicidade com o Senhor! A Nova Criação No total, o resultado da regeneração é uma nova criação. “Nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas uma nova criação é o que importa” (Gálatas 6:15). “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criação, as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Coríntios 5:17). Os crentes foram feitos uma nova criação ao serem regenerados. Regeneração levou-nos a tornar-nos uma nova criação, uma entidade orgânica que contém o elemento de Deus. Enquanto a velha criação, embora trazida à existência por Deus, não tem nada de Deus nela, a nova criação tem verdadeiramente Deus dentro de si. Por que nascemos de Deus, temos Deus dentro de nós, e por que temos Deus, o elemento da nova criação, em nós, nós somos uma nova criação.
ós precisamos ser impressionados com o fato que regeneração está intrinsecamente relacionada com a nova criação, pois quando fomos regenerados pelo Espírito através do nosso crer em Cristo e recebê-lO dentro de nós, nós nos tornamos uma nova criação nEle. Como resultado, exteriormente nós permanecemos a velha criação, porém dentro desta velha criação há uma nova criação. A velha criação, nós nos apressamos a mostrar, é para a nova criação. Deus criou a espécie humana segundo Sua própria espécie a fim de ser um vaso para contê-lO. Este é o homem na velha criação. Conforme o propósito eterno de Deus, este vaso da velha criação deve ser cheio com Deus e portanto tornar-se um ser da nova criação, cheio e saturado com Deus para Sua expressão. Este é o homem como a nova criação. Começando com a regeneração, Deus está agora avançando para o Seu alvo de produzir a nova criação a partir da velha criação. Este era o alvo de Deus na eternidade passada, e por isto Ele criou-nos à Sua imagem a fim de expressá-lO e como vasos contê-lO. A criação, portanto, nunca foi planejada para ser um fim si mesma mas um meio para um fim. Criação é para regeneração, e regeneração é para a nova criação. Nós fomos gerados como a velha criação de maneira a sermos regenerados como a nova criação. Agora, que temos sido regenerados para este propósito, Deus continua a produzir a nova criação a partir da velha criação por operar a Si mesmo em Cristo para dentro do nosso ser, difundindo-Se do nosso espírito regenerado, mesclado, para dentro da nossa mente, emoção, e vontade, enchendo, saturando, permeando-nos conSigo mesmo para Sua expressão corporativa. Na eternidade, no novo céu e na nova terra, haverá a Nova Jerusalém – a nova criação como o alvo da criação e o resultado supremo da regeneração. Regenerado por Deus para
Tornar-se Deus Isto nos leva ao clímax: Nós fomos regenerados por Deus para tornar-nos Deus em vida, em natureza, em constituição, em aparência e em expressão mas não na Deidade e não como um objeto de adoração. Criação é para regeneração, regeneração é para deificação, e regeneração é deificação. Considere, como um lembrete, o significado de regeneração. Ser regenerado é ser nascido de Deus para ter uma outra vida, a vida divina, em adição à nossa vida natural, criada, humana. Isto implica e acarreta deificação: A primeira coisa que recebemos através da
regeneração é a vida de Deus. Todas as
habilidades, funções e atividades de um ser vivo originado com sua vida. Mesmo sua aparência e expressão exterior são
determinadas por sua vida. Deus possui
a mais elevada vida. Tudo que Deus é e
tudo que está em Deus estão na vida de Deus.
A natureza de Deus está também contida na vida de Deus. Esta vida nós temos recebido por meio da
regeneração. (Lee, Conclusion 1411).
sta vida é por definição divina, e diviniza todos aqueles que a recebem e a possuem. A vida divina nos faz pessoas divinas. Nós que nascemos de Deus somos divinos, pois temos nascido da vida divina. Nesta vida estão a natureza de Deus e os atributos comunicáveis de Deus. Nós nascemos de Deus, temos a vida de Deus, e somos Deus, todos, sem ser Deus em Sua Deidade ou Divindade. Este assunto de ser nascido de Deus para ter a vida de Deus, portanto, deve ser suficiente para convencer-nos que regeneração é para deificação e ela é em si mesma o início de nossa deificação. Entretanto, considere, como uma revisão adicional, os vários resultados ou conseqüências, da regeneração: nosso relacionamento de vida com Deus, nosso espírito regenerado sendo ele mesmo vida, tendo a lei da vida, sendo filhos de Deus possuindo a vida e natureza de Deus, tornando-se um novo ser – um novo homem, sendo luz no Senhor, tornando-se a espécie de Deus – o ser humano entrando e tornando-se parte do reino de Deus, sendo habitado pelo Deus Triúno, sendo um espírito com o Senhor, e tornando-se uma nova criação em Cristo. Cada aspecto envolve deificação, o processo pelo qual os crentes em Cristo tornam-se Deus em vida e em natureza para esta expressão. Expressão: Isto é o que Deus sempre quis, e este é Seu bom prazer. Aquilo que agradará a Deus e O fará feliz pela eternidade é ter uma expressão corporativa de Si mesmo. Deus sempre Se deleitará em Cristo, o Filho gerado na Deidade, como Sua expressão. E Ele também Se deleitará no Filho primogênito e nos muitos filhos como Sua expressão corporativa. A fim de ter filhos, Deus primeiramente teve que ter seres humanos, e Ele os trouxe à existência por meio da criação, fazendo-os à Sua imagem e conforme a Sua espécie. Criação é para regeneração a fim de produzir filhos de Deus que finalmente amadurecerão para tornarem-se filhos de Deus para a expressão de Deus. Regeneração é para deificação, e regeneração é deificação. Somente Deus pode expressar Deus; portanto, para expressar Deus, devemos tornar-nos Deus, não em Deidade, mas em vida e em natureza. Assim, nem mesmo a deificação é um fim em si mesma; deificação é para expressão – a expressão corporativa do Deus Triúno de glória. Um dia, todos os filhos de Deus escolhidos, redimidos, regenerados tornar-se-ão maduros, filhos deificados de Deus – santificados, renovados, transformados, conformados e glorificados. Então seremos para o louvor da Sua glória, e o desejo do coração de Deus terá cumprimento completo, final e consumado. Em Cristo, todos os filhos de Deus podem tornar-se Deus para a glória de Deus. Obras Citadas
Billheimer,
Paul E. Destined for the Throne.
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