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A
Palavra da Justiça Deificados
para Ser a Noiva de Cristo Tradução
não oficial e não revisada pelo autor do artigo “The Word of
Righteousness – Deified to Be the Bride of Christ” publicada em
Affirmation &
Critique (www.affcrit.com), em outubro de 2002, periódico pertencente
ao Living Stream Ministry - Anaheim – CA – EUA, por João Lídio
de Carvalho Neto para a edificação
da Igreja do Senhor Jesus Cristo, sem fim comercial.
oda a Bíblia revela que Deus é um marido para Seu povo e que Seu povo é uma noiva, uma esposa, para Ele. Esta grande história consumar-se-á numa boda bem-aventurada na era vindoura e numa vida matrimonial universal pela eternidade. A visão divina da união matrimonial de Deus e o homem contém a luz do cerne intrínseco da economia de Deus, que, como articulado por Atanásio de Alexandria no quarto século, “a própria palavra de Deus... tornou-Se homem para que pudéssemos tornar-nos Deus” (Incarnation 65), isto é, o mesmo que Deus em vida e em natureza mas não em Sua Deidade. O cumprimento desta grande visão naturalmente acarreta a necessidade da noiva de Cristo estar preparada para este matrimônio, uma necessidade que implica fortemente a “palavra da justiça” (Hebreus 5:13), a verdade concernente à incumbência e responsabilidade dos crentes com Deus para sua vida na era da igreja. O
Alvo de Toda a Bíblia Sendo o Casamento de Deus com Seu Povo Quatro profetas no Velho Testamento – Isaías, Jeremias, Ezequiel e Oséias – falam de Deus como o Marido do povo de Deus e de Seu povo como Sua esposa, Sua mulher. Isaías 54:5 diz muito claramente: “Pois teu criador é teu Marido; / Jeová dos exércitos é Seu nome”. Jeremias 31:32 diz similarmente: “Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; Minha aliança que eles quebraram, não obstante Eu fosse seu Marido, declara Jeová”. Jeremias também fala do contrato de casamento de Israel com Deus, dizendo: “Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz Jeová: Lembro-Me de ti, da afeição da tua juventude, / O amor dos teus dias de noiva, / Quando Me seguias no deserto, / Numa terra que não era semeada” (Jeremias 2:2). Oséias 2:19 e 20 reiteram: Eu te desposarei para Mim mesmo para sempre; /
Verdadeiramente, Eu te desposarei para Mim mesmo / em retidão e justiça
/ E em benignidade e compaixões; / Verdadeiramente, Eu te desposarei
para Mim mesmo em fidelidade, / E conhecerás Jeová. Semelhantemente, Ezequiel 16:8 fala da aliança de casamento entre Deus e Seu povo: Passando Eu por junto de ti, vi-te, e eis que o teu
tempo era tempo de amores; estendi sobre ti as abas do Meu manto e
cobri a tua nudez; dei-te juramento e entrei em aliança contigo, diz
Jeová o Senhor; e passaste a ser minha. Esta aliança foi decretada no monte de Deus, por meio do dar a lei (Êxodo 20:1-21). O dar a lei foi uma transação na qual o povo de Deus tornou-se comprometido com Ele. No Novo Testamento, Cristo é o Noivo e o Marido dos Seus eleitos escolhidos, redimidos e regenerados. Em Mateus 9:15, o Senhor Jesus revelou-Se como o Noivo que tinha vindo para levar a noiva. Anteriormente, João, o Batista, tinha declarado a respeito dEle: “Aquele que tem a noiva é o noivo” (João 3:29). Em 2Coríntios 11:2 Paulo disse: “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo.” No final desta dispensação, haverá um dia glorioso de casamento, tempo no qual Cristo virá para casar-Se com Seus redimidos e levá-los como Sua noiva (Apocalipse 21:9). Seguindo isto, pela eternidade, o Deus Triúno como o Marido gozará uma doce vida de matrimônio com Sua esposa. Esta esposa será a Nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro (vv. 9-10), a consumação final da união, mescla, e incorporação do Deus Triúno processado e consumado com Seus eleitos escolhidos, redimidos, regenerados, transformados e glorificados. Desta maneira, a conclusão da Bíblia é o casamento universal de Deus e Seu povo. Como veremos, para Deus casar-Se com Seu povo, é necessário que nos tornemos o mesmo que Ele é através de um processo de transformação durante a vida. Finalmente, os crentes podem carregar a responsabilidade de ganhar a porção mais plena do Espírito e permitir-Lhe operar plenamente dentro deles. Somente aqueles que vencem desta maneira estarão preparados para encontrar o Cristo vindouro como Sua noiva. A
Contraparte para um Marido Sendo o Mesmo que Ele é O propósito e a intenção de Deus ao criar o homem era ganhar uma contraparte para Si mesmo (Gênesis 1:26). Este grande propósito pode ser visto no tipo da criação de Adão e a produção de Eva como sua esposa. Adão é claramente considerado, na Bíblia, como um tipo de Cristo, o último Adão, “Aquele que havia de vir” (Romanos 5:14; 1Coríntios 15:45). Como um homem, o líder na criação de Deus, Adão tipifica Deus como o Marido verdadeiro, universal Que está procurando uma esposa para Si, e a necessidade de Adão por uma esposa tipifica e retrata a necessidade de Deus de ter um complemento. Em Gênesis 2, Jeová primeiro formou o homem com o pó da terra e colocou-no diante da árvore da vida com um rio (vv. 7-10), significando Deus mesmo como vida e o suprimento de vida para o homem que Ele criou. Então o verso 18 diz: “E Jeová Deus disse: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora como sua contraparte”. O que imediatamente se segue é muito significativo na revelação divina da união de Deus com o homem. Os versos 19 e 20 dizem: E Jeová Deus formou do pó da terra todo animal do
campo e toda ave do céu, e os trouxe ao homem para ver como os
chamaria; e aquilo que o homem chamou cada animal, este foi seu nome.
E o homem deu nomes a todos os animais domésticos e às aves
do céu e a todo animal do campo, mas para Adão não foi encontrada
uma auxiliadora como sua contraparte. Subseqüente ao pronunciar a necessidade e desejo de uma contraparte para Adão, Jeová criou e trouxe-lhe os animais e as aves, sabendo o tempo todo que nenhum destes podia ser seu par no casamento, uma vez que seu par não devia ser apenas sua auxiliadora (azar, no hebraico), mas alguém apropriado para ele e correspondendo a ele como uma contraparte (neged, no hebraico), “um ser ajudante, no qual, logo que ele o vê, pode reconhecer-se” (Keil 86). Nos animais domésticos e aves do céu, Adão não se reconheceu, pois nenhum deles era o mesmo que ele.
linguagem da Septuaginta é cheia de revelação aqui, traduzindo a mesma frase hebraica como sua contraparte como kat’ auton [cat auton* - as transliterações são acréscimos do tradutor] (de acordo com ele) no verso 18 e como omoior autw [omoios auto] (como ele ou o mesmo que ele) no verso 20. A auxiliadora para ser ainda encontrada por Adão necessitava de ser alguém de acordo com Adão e como Adão, isto é, o mesmo que Adão em espécie, vida, natureza e aparência. Adão era para se tornar familiarizado com as
criaturas, aprender o relacionamento deles com ele, e dar-lhes os
nomes para provar-se seu senhor... “O homem vê os animais, e pensa
naquilo que eles são e como eles parecem”
(Delitzsch)... Os pensamentos de Adão com respeito aos
animais, aos quais ele deu expressão nos nomes que lhes deus, não
devemos considerar como
os meros resultados da reflexão, ou da abstração das peculiaridades
meramente exteriores que afetaram os sentidos; mas como uma revelação
mental profunda e direta dentro
da natureza dos animais, que penetrou muito mais profundamente do que
tal conhecimento como é o resultado simples do pensamento reflexivo e
abstrato. O nominar dos
animais, portanto, levou a este resultado: que não foi encontrada uma
auxiliadora adequada para o homem.
(Keil 88). Deste modo Adão ficou plenamente consciente da espécie, caráter e natureza de cada um dos animais criados e de sua relação com eles. Conforme esta revelação profunda e penetrante, ele compreendeu que nenhum deles era omoior autw, ”o mesmo que ele” deixando-o então sem qualquer contraparte. A
Noiva Produzida pela Operação da Vida Divina Gênesis 2:21 e 22 continua com nosso relato:
“E Jeová Deus fez com que um
sono profundo caísse sobre o homem, e ele dormiu; e Deus tirou uma
das suas costelas e fechou a carne naquele lugar. E Jeová Deus edificou a costela, que Duas substâncias
saíram do lado perfurado do Senhor: sangue e água. Sangue é para a redenção, para tirar os pecados (João
1:29; Hebreus 9:22) para comprar a igreja (Atos 20:28). A água visa infundir vida, para aniquilar a morte (João
12:24; 3:14-15) para produzir a igreja (Efésios 5:29-30)... Essa
morte que infunde vida liberou a vida divina do Senhor de dentro dEle
para produzir a igreja, que é composta de todos os Seus crentes, nos
quais a Sua vida divina foi infundida.
Essa morte do Senhor que infunde vida é tipificada pelo sono
de Adão, do qual Eva foi produzida (Gênesis 2:21-23), e é
representada pela morte do grão de trigo, que caiu na terra para
produzir muitos grãos (João 12:24) a fim de fazer um único pão, o
Corpo de Cristo (1Coríntios
10:17). Portanto,
é também a morte que propaga e multiplica a
vida, a morte que
gera e reproduz. (Versão Restauração, João 19:34, nota 1)
m sua perplexidade exultante no acordar e encontrar
sua contraparte, Adão afirma: “Desta vez esta é osso dos
meus ossos / E carne da minha carne” (Gênesis 2:23).
Novamente, as Escrituras estão ricas com metáforas divinas.
O osso significa a vida de ressurreição de Cristo.
No final da crucificação de Cristo, os judeus pediram a
Pilatos para quebrar as pernas daqueles que foram crucificados (João
19:31). Quando os
soldados vieram até Jesus, entretanto, eles viram que Ele já tinha
morrido e que não havia necessidade
deles quebrarem Seus ossos.
Isto cumpriu a Escritura que dizia:
“Nenhum dos Seus ossos será quebrado” (vv. 32-33,36; Êxodo
12:46; Número 9:12; Salmo 34:20). Ainda que Cristo passou pela morte em Sua vida humana, Sua
vida de ressurreição permaneceu íntegra.
Vemos novamente a vida de ressurreição de Cristo prefigurada
pelo osso no registro da morte e sepultamento de Eliseu em 2Reis 13.
O verso 21 diz: “Sucedeu que, enquanto alguns enterravam um
homem, eis que viram um bando [de invasores]; então, lançaram o
homem na sepultura de Eliseu; e, logo que o cadáver tocou os ossos de
Eliseu, reviveu o homem e se levantou sobre sues pés”.
Portanto, o osso é um símbolo, uma figura, da vida de
ressurreição de Cristo, a qual nada pode quebrar, ferir ou estragar.
Esta é a vida com a qual a igreja é produzida e edificada
como a multiplicação do homem-Deus para tornar-se a verdadeira Eva a
fim de unir-se a Ele e completá-lO. A
Noiva Tendo a Mesma Fonte e Substância que o Marido Gênesis 2:23 continua o registro da produção de Eva:
“Esta será chamada Varoa [ishah, Hebraico] / Porquanto, do
varão [ish, hebraico] foi tomada”.
Do implica muitíssimo no entendimento divino.
Ele se refere à fonte e assim à identidade da substância. Eva veio da fonte de Adão e era da mesma substância que Adão.
“A mulher foi criada, não do pó da terra, mas de uma
costela de Adão, pois ela foi formada para uma inseparável unidade e
comunhão de vida com o
homem” (Keil 89). No
verso 23, Lutero vê no hebraico ish e ishah um jogo
particular de palavras, traduzindo Varoa mais como “um homem
fêmea” em
reconhecimento da sua
fonte orgânica em e união com o homem”1.
Eva era, no sentido mais literal e espiritual, o mesmo que Adão
em vida e em natureza, embora possuindo existência, ser e status
distintos dele. Por causa
disto, ela estava organicamente qualificada para ser unida a Adão em
matrimônio. Moisés acrescenta a este relato: “Por isso, deixa o
homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só
carne” (Gênesis 2:24). Paulo
interpreta e aplica esta máxima a Cristo e à igreja, o Marido e a
esposa universais (Efésios 5:31-32).
Cristo e a igreja como um espírito, tipificados por um marido
e uma esposa como uma carne, são o grande mistério da economia de
Deus. Primeira aos Coríntios
6:17 diz-nos que “aquele que se une ao Senhor é um espírito”.
Deus é Espírito (João 4:24), e o homem tem um espírito
humano (João 4:24; Provérbios 20:27; Zacarias 12:1; 1Tessalonicenses
5:23). Neste órgão mais
interior, que é muito similar à natureza e substância de Deus, o
homem contata, adora, e é unido ao Deus Triúno processado e
consumado numa união orgânica com Ele.
Dessa maneira, a preparação da noiva de Cristo demanda que nós
os crentes aprendamos a contatar Deus em nosso espírito e vivamos e
caminhemos em e conforme o espírito (Romanos 8:4).
Aqueles que deste modo não desfrutam da união orgânica com
Deus no decurso da sua vida cristã não estarão preparados para
encontrar o Senhor como Sua noiva. Novamente vemos a responsabilidade dos crentes diante de Deus
nesta era.
odos os elementos e características salientes do
relato de Gênesis da formação de Eva como a contraparte de Adão
deixa-nos com uma forte e clara impressão concernente à natureza e
produção da igreja como a contraparte genuína de Cristo.
A igreja procede de Cristo e é constituída com Cristo por
meio de Sua morte e ressurreição, não somente na obra, de uma vez
por todas, de Cristo nos Evangelhos, mas por uma experiência
subjetiva de Sua morte e ressurreição através de Sua vida divina.
Por produzir a igreja desta maneira, Deus em Cristo está
trabalhando para dentro do homem como vida.
É por meio do processo da morte liberadora de vida de Cristo e
do infundir vida, propagar vida, multiplicar vida, e a ressurreição
de Cristo reproduzindo vida, que Deus em Cristo está trabalhando
dentro do homem com Sua vida e natureza para que o homem em vida e
natureza possa ser o mesmo que Ele é a fim de unir-se a Ele como Seu
complemento. São somente
aqueles crentes que não são apenas regenerados mas também
transformados para unir-se a Deus que estarão qualificados para ser a
noiva de Cristo em Sua vinda. Não
Se Mesclando com uma Espécie Diferente Ao dizer que a igreja procede de Cristo e é o mesmo
que Ele é em vida e em natureza, embora não em Sua Deidade, nós
estamos dizendo no sentido mais santo que Cristo e Sua noiva são da
mesma espécie. Em Gênesis 1, Deus criou cada uma das coisas vivas
segundo sua espécie (vv. 11-12, 21, 24-25), estabelecendo um princípio
no mundo físico e refletindo o mesmo princípio no âmbito espiritual
(Mateus 7:16-18). Em João 3:6, o Senhor nos diz: “O que é nascido da carne
é carne, e o que nascido do Espírito é espírito”, em 1João 3:2,
o apóstolo nos diz que: tendo sido nascido de Deus como seus
filhinhos, nós seremos manifestados com Ele para sermos “como
Ele” (omoioi autw,
cf. Gênesis 2:20, LXX (Septuagintaa),
isto é, como Ele em vida, natureza, glória e expressão. Aqui, novamente nós encontramos aplicação para a
economia de Deus em Sua união matrimonial com o homem como o Marido e
esposa universais. Levítico
19:19 diz-nos: “Guardarás os meus estatutos; não permitirás que
os teus animais se mesclem com os de espécie diferente; no teu campo,
não semearás semente de duas espécies; nem usarás roupa de dois
estofos misturados”. Espécie
diferente com relação ao mesclar-se significa uma diferença de
nascimento, descendência, origem, raça, linhagem ou espécie; deste
modo, espécie, sorte.2
Os estatutos de Deus proíbem plenamente a união de duas espécies,
“misturando as coisas que são separadas na criação de Deus”
(Keil 410), e se tal cruzamento ilícito é contrário à natureza dos
animais do campo, quanto mais é contrário Àquele que os criou, Que
procura uma contraparte para o casamento de Sua própria espécie! Quão aquém da verdade é o entendimento de muitos cristãos
hoje, que aceitam seu desacordo intrínseco de vida e natureza com
Deus como aceitável para Ele contanto que eles estejam justificados
por fé, aguardando uma comunhão com Ele na eternidade em
auto-semelhança, e por sua vida e natureza humanas somente!
Cristo como o Marido não “se mesclará com uma espécie
diferente”. O divino
deve casar-se com um divino. Ele
deve casar-se com uma da Sua própria espécie, a noiva gloriosa de
Cristo, que é o osso do Seu osso e carne da Sua carne, não foi
apenas regenerada, mas também transformada e conformada à imagem de
Cristo (2Coríntios 3:18; Romanos 12:2; 8:29) para ser omoior (omoios) auty (auto), o mesmo que Ele é em vida e em
natureza. Uma
igreja Gloriosa, Não Tendo Mancha ou Ruga Efésios
5:25 a 27 diz: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou
a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que pudesse santificá-la,
tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para
a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem
coisa semelhante, porém santa e sem defeito”.
Nesta passagem, Paulo revela a igreja no aspecto da noiva de
Cristo. A igreja procede
de Cristo, como Eva procedeu de Adão.
Conseqüentemente, a igreja tem a mesma vida e natureza que
Cristo, e ela se torna um com Ele como Sua contraparte, da mesma
maneira que Eva tornou-se uma carne com Adão.
Nós devemos prestar atenção às palavras desta passagem
muito atentamente. A
igreja que Cristo apresentará a Si mesmo será gloriosa.
Glória é Deus expressado.
Daí, ser gloriosa é ser Deus-expressante.
A igreja apresentada a Cristo será uma igreja
Deus-expressante. Exceto
pelo fato que não temos parte na Deidade, devemos nos tornar
exatamente o mesmo que Deus em Sua vida, Sua natureza, e Sua expressão
exterior, Sua glória, da mesma forma que Eva foi o mesmo que Adão.
Conseqüentemente, nós podemos considerar glória – como um
atributo, condição, e característica da igreja – sendo um pré-requisito
para a apresentação dela ao Cristo vindouro.
ortanto,
a igreja como a noiva de Cristo, em preparação para a vinda de
Cristo como seu Noivo, não deve ter mancha, ruga, ou quaisquer tais
coisas, mas ao invés ser santa e sem defeito.
Mancha significa algo de nossa vida caída, humana,
natural. Ruga
relaciona-se à velhice do velho homem em Adão (Romanos 6:6).
Ser santa é estar saturada com Cristo e transformada por
Cristo, e ser sem defeito é ser sem mancha e sem ruga, não tendo
nada da vida natural do nosso velho homem.
Somente nossa experiência subjetiva do Espírito como a água
da vida pode tirar, pela lavagem, tais defeitos pela transformação
de vida. Nós
vemos um exemplo negativo do problema do homem natural em Mateus 16. Após ouvir acerca da vinda, crucificação e ressurreição
do Senhor, Pedro levou o Senhor para o lado a fim de reprová-lO,
dizendo: “Tem
compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá!” (v.
22). O Senhor,
imediatamente, voltou-Se e disse a Pedro: “Arreda, Satanás! Tu és
para mim pedra de tropeço, porque não estás colocando tua mente nas
coisas de Deus, e sim nas coisas dos homens” (v. 23).
Ao falar como o fez, Pedro exercitou sua mente natural e
compaixão pelo Senhor. Nele, entretanto, o Senhor reconheceu a fonte e elemento da
vida natural, reprovando Pedro ao dizer: “Satanás!”
A vida natural de Pedro, sua vida caída da velha criação,
era uma com Satanás a fim de frustrar o cumprimento do Senhor do Seu
propósito na cruz. Imediatamente,
após isto, o Senhor acrescentou: “Se alguém quer vir após mim, a
si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem
perder a vida por minha causa achá-la-á” (vv. 24-25).
Nossa mente é a expressão do nosso eu, e nosso eu é a
corporificação da nossa vida da alma. Dentro de Pedro estava a mancha da vida caída, humana,
natural, e a ruga da velhice do velho homem, expressando o eu,
carregando a semelhança do eu e até a semelhança de Satanás. Com certeza, naquela hora, Pedro não esteve à altura
de Cristo como um membro glorioso da Sua noiva gloriosa.
Uma igreja composta de “Pedros” naturais não é da espécie
de Cristo, qualificada para unir-se a Cristo como Sua contraparte.
Em contraste, Colossenses 3:10 diz-nos que a igreja é o novo
homem, que está sendo renovado conforme a imagem de Cristo como a
expressão de Deus. O
verso 11 continua a dizer que na igreja não há nem esta pessoa nem
aquela pessoa, mas “Cristo é tudo e em todos”.
Que Cristo é tudo significa que ele é a pessoa intrínseca de
todos os membros que constituem o novo homem.
A igreja em sua condição verdadeira e gloriosa é uma parte
de Cristo; ela é nada menos que o próprio Cristo.
A igreja é o elemento de Cristo nos crentes, a totalidade da
porção orgânica de Cristo nos crentes.
Isto implica fortemente que ainda que nós os crentes que somos
um povo regenerado, se vivemos e agimos conforme nossa constituição
e disposição naturais, não somos, na realidade, os membros
do novo homem, que consumará como a noiva de Cristo para Seu
retorno. A vida natural,
expressante do eu que ainda permanece nos crentes não pode ser
considerada parte da noiva de Cristo.
Somente aquela que procede de Cristo pode ser reconhecida por
Ele como Sua contraparte, e somente aquela que procede de Cristo pode
retornar para Ele e unir-se a Ele.
Se não temos nos despojado do velho homem e ganhado Cristo
como o elemento intrínseco, orgânico em todo o nosso ser, então
para todos os propósitos práticos nós ainda não somos Sua noiva.
Até que nos tornemos o mesmo que Ele é em vida, natureza, e
expressão não estamos qualificados para casarmos com Ele no Seu
retorno. A velha vida
natural com suas manchas e rugas não é da espécie de Cristo, e
Cristo não “se mesclará com uma espécie diferente”.
Nossa
Necessidade de Transformação e Maturidade na Vida e Natureza Divinas Neste ponto, nós temos estabelecido o princípio governante do cumprimento da economia de Deus e Seu grande desejo de obter uma contraparte para Si mesmo num casamento glorioso, eterno. A contraparte de Cristo deve ser orgânica e intrinsecamente semelhante a Ele, o mesmo que Ele é em vida e em natureza. Ela deve ser constituída através da morte todo-inclusiva de Cristo e com Sua vida de ressurreição inquebrantável para ser, em cada detalhe, “osso do Seu osso e carne da Sua carne”. Ela deve ser do mesmo tipo, origem, linhagem, raça e espécie. Além do mais, ela deve ser uma igreja gloriosa, não corrompida ou desfigurada por mancha, ruga, ou quaisquer coisas da velha vida natural do velho homem. Nós devemos considerar todos estes assuntos à luz da nossa responsabilidade de crescer em direção à maturidade da vida divina. Paulo
apresenta a chave para o nosso ganhar a semelhança orgânica de
Cristo em 2Coríntios 3:18: “E todos nós, com o rosto desvendado,
contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos
transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como
pelo Senhor, o Espírito”. É
a responsabilidade dos buscadores amorosos de Cristo perseguir o
Senhor e ganhá-lO no ser inteiro deles para sua completa transformação.
Nós devemos usufruir o dispensar da Trindade Divina na
transformação divina para a conformação divina à imagem de Cristo
e ser maturados neste processo como um pré-requisito para o nosso
casamento com Ele. É por
esta razão que Apocalipse 19:7 declara: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são
chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se
aprontou”. Quão
significantes são as palavras a si mesma já se aprontou!
A noiva a si mesma se aprontou
por sua cooperação com o Deus Triúno para sua plena transformação
na vida divina. O preparo
da noiva, portanto, depende da maturidade dos crentes vencedores, que
serão galardoados pelo Senhor em Sua vinda por ser convidado para a
ceia das bodas do Cordeiro (v. 9). Cântico
dos Cânticos 8 apresenta uma figura poética pungente da imaturidade
dos crentes. O verso 8 diz: “Temos uma irmãzinha que ainda não tem seios; que faremos a esta nossa
irmã, no dia em que for pedida?”
“Não ter seios” significa imaturidade e o não
desenvolvimento de vida no amor e fé do Senhor.
Mesmo no tempo da vinda do Senhor, muitos crentes genuínos,
embora justificados por fé e regenerados no seu ser mais interior
pelo Espírito, serão encontrados numa condição de imaturidade na
vida divina. Eles podem
ser considerados como uma “irmãzinha”, pré-adolescentes
espirituais impróprios e despreparados para o matrimônio.
Em contraste à irmãzinha, a buscadora de Cântico dos Cânticos,
finalmente maturada por meio de todos os estágios da operação do
Senhor nela, é chamada Sulamita (6:13). Sulamita
é a forma feminina de Salomão, indicando que o crente
buscador vencedor torna-se o mesmo que Cristo.
A Sulamita era uma garota do campo, mas agora como uma
contraparte para Salomão, ela se tornou a mesma que Salomão – uma
figura da noiva que se torna o mesmo que Cristo em vida, em natureza,
e em expressão para o levar a cabo da economia de Deus. Nestas coisas – vida, natureza, e expressão – nós
nos tornamos o mesmo que Deus e Cristo, mas não na Deidade, por meio
da operação do deificar da Palavra encarnada, Que “Se tornou
homem, a fim de que Ele pudesse deificar-nos em Si mesmo” (Atanásio,
Letters 576). Deus
tornou-Se homem através da encarnação; o homem torna-se Deus através
da transformação. É através de um processo de vida inteira, iniciando com a
regeneração, prosseguindo por meio da santificação, do renovar da
mente, e transformação, culminando com nossa conformação à imagem
de Cristo, e consumando em nossa glorificação para que nos tornemos
Deus. Quando atingirmos
este ponto, 1João 3:2 diz que: “seremos semelhantes a Ele”.
O resultado final deste processo é a Nova Jerusalém, a esposa
do Cordeiro. É somente
por Deus tornar-Se homem para fazer o homem Deus em vida e em natureza
mas não na Deidade que a noiva de Cristo pode ser preparada e a Nova
Jerusalém pode ser consumada. A preparação da noiva como a Sulamita para o Salomão
verdadeiro é um assunto de nossa maturidade na vida e natureza
divinas como plena extensão do processo
de transformação e conformação à Sua imagem.
Sem a maturidade de vida, nós não estamos prontos,
preparados, ou qualificados para casar com Cristo.
Não podemos presumir ser a contraparte gloriosa de Cristo em
nossa condição natural, e não podemos ser aceitáveis a Ele como
Sua noiva numa condição imatura.
Aqueles que não amadurecem nesta era encontrarão o Senhor
vindouro em sua auto-semelhança, não em Sua imagem gloriosa.
Eles serão encontrados pelo Noivo na expressão e aparência
do eu, desfigurados com as manchas e rugas da velha vida natural.
Eles serão uma “irmãzinha”, pré-adolescentes
espirituais, despreparados para o casamento do Cordeiro.
Eles serão – numa significante parte do seu ser interior –
uma outra espécie, não da espécie de Cristo, com a qual Cristo não
pode unir-se. Eles não
serão semelhantes a Ele orgânica e intrinsecamente.
Portanto, eles serão excluídos da ceia das bodas do Cordeiro. John
Campbell Notas 1 “Man wird sie Männin nennen,
weil sie vom Manne genomen ist” (Gênesis
1:23). “Com
‘Männin’ e ‘Mann’, Lutero
tenta traduzir um jogo de palavras hebraicas” (Bibel 6), onde em
outras partes ele traduz o esperado Mann e Weib.
Compare este uso de palavra irregular e particular pelo velho
latim vira (varoa)* de vir (varão)*
(Keil 90). * N.T. 2 “Kilayim [espécie diferente, hebraico] de kele separação,
significa duae res deversi generis, heterogeneae [duas
coisas de gêneros diversos, heterogêneas] “ (Keil 421). Obras
Citadas Atanásio.
“Incarnation of the Word.”
Nicene and post-Nicene Fathers of the Christian Church,
Second Series. Ed.
Philip Schaff and Henry Wace. Vol
4. Grand Rapids: Eerdmans, 1978.
Die Bibel.
Wien: Österreichische Bibelgesellchaft, 1980. Keil, C. F.,
and F. Delitzsch. Commentary
on the Old Testament in Ten Volumes , Vol 1: The Pentateuch.
Grand Rapids: Eerdmans, 1980. Lee,
Witness. Footnotes.
Recovery Version of The New Testament.
Anaheim; Living Stream Ministry, 1991.
a
designação por que é conhecida a mais antiga tradução em grego do
texto hebreu do Antigo Testamento, feita para uso da comunidade de
judeus do Egito no final do século III a.C. e no II a.C.; teria
sido realizada por 72 tradutores, donde o nome (por simplificação:
LXX, em latim); versão dos 70 (Dicionário Houaiss – N.T.)
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